Tem dias que eu com todas minhas convicções e palavras, um bom DVD, meu note e um livro, somos o suficiente e capazes de dominar o mundo! Em outros sou capaz de jurar que não sei viver sozinha, chorar com vídeo de despedida das "Paquitas" (o que já aconteceu há pelo menos dez anos) e me apaixonar por uma árvore (transformando sapos em príncipes sem a menos cerimônia)!
Deve ser louco mesmo para os rapazes entenderem a gente, quando nem nós mesmos conseguimos fazer isso o tempo todo! E olha que de longe tudo parece tão óbvio!
Então, voltando ao assunto original, hoje estou totalmente no meu "momento mulherzinha". Tirei a capa vermelha, guardei o laço mágico, coloquei as lindas botas vermelhas no sapateiro (porque é mega difícil manter o salto nas ruas do Rio de Janeiro), vesti meu pijama cor de rosa e pedi socorro ao JR - meu cachorro de pelúcia!
Não dá pra ser forte o tempo todo, né? Realizo meus sonhos (pelo menos os que dependem de mim), porque os torno objetivos, mas entendo que mesmo para o atleta mais forte que pratique apneia, em algum momento é preciso subir a superfície para buscar o ar!
Então é isso...hoje estou me permitindo uma postagem cor de rosa, bem "fofuxo", bem adolescente em seu melhor momento "querido diário"!
Vamos lá garotas! Tirem das gavetas seus pijamas cor de rosa e batizem seus inseparáveis amigos de pelúcia (esses sim são fiéis sempre...mesmo quando arremessados ao chão em um momento de raiva)! Permitam-se ouvir músicas bregas e ver filminhos românticos comendo brigadeiro (com moderação, afinal amanhã temos que voltar a ser lindas e implacáveis)!
Aproveitando o momento, fala aí Martha Medeiros:
"Primeiramente devo dizer: a culpa não é de ninguém.
Não me atirem pedras, nem queimem meus sutiãs que me são tão raros, caros e meus.
Ando pensando muito na questão ying/yang na sociedade e dentro de nós e o que eu vejo não são mulheres independentes e felizes com seus novos papéis, nem homens satisfeitos com um ter-que-ser que não combina com seus antigos moldes.
O que enxergo são homens e mulheres perdidos e insatisfeitos, loucos por colo e amor, e loucos de saudade.
Eu quero ser mulher de novo, estou cansada de virar homem tantas vezes ao dia, tendo que resolver a vida e o mundo.
Tenho que trabalhar, pagar contas, impostos, saber tudo sobre contabilidade, escrever, recitar Vinicius, ter uma bunda dura, um cabelo macio, quinhentos e cinqüenta e cinco cheiros gostosos pelo corpo, pés e mãos bem feitos, saber o que está passando no cinema, ler de Sartre a Vogue, ajudar a família e amigos, colocar os quadros novos na parede, responder e-mails e estar Linda e com a pele fresca para quando aquela pessoa que você joga charme há meses te chamar pra sair.
Ok, você toma banho em segundos, reclama com sua mãe enquanto procura o que vestir (a eterna dúvida do primeiro encontro) e tenta se focalizar em ser mulher.
Apenas mulher.
E o interfone toca e você está com duas blusas na mão, nenhum sapato no pé e uma interrogação bem no meio da maquiagem.
O espelho não mente: você está ligeiramente Linda, confusa e cansada.
Mas pega a bolsa e vai...(afinal, arriscar é viver).
No caminho você pensa, enquanto passa o batom: o mundo está invertido ou será que sou eu?
E você não encontra respostas mas encontra o cara.
Parado.
Mudo.
Com um olhar bonito e alguma expressão que você não entende.
Aí tem a mesma imagem de minutos atrás.
Vê o ponto de interrogação bem no meio da cara dele.
O cara não sabe o que fazer.
Não sabe se abre a porta do carro, se escolhe o restaurante, se te beija, se te come ou manda embrulhar, se manda flores no dia seguinte, se conversa sobre poesia, sobre filhos ou musculação, tudo porque ele está na dúvida se você vai achar lindo ou se vai rir na cara dele.
Tudo porque ele está perdido, mas...caramba, você também está!
Não sabe se ele tem a mente aberta como aparenta ou se é mais careta que seu tio.
E ninguém se percebe.
O cara te acha inteligente, gostosa, divertida, e acha que você é moderna demais pra gostar de uma mensagem fofa no dia seguinte.
Meninos, é mentira.
A gente gosta.
Tem gente que pode não gostar, mas eu gosto.
Vivemos num momento de transição e conflitos, mas FICA difícil de entender.
Nada mais normal.
Eu, por exemplo, trabalho, tenho minha Casa, sou forte por acaso, mas tenho meu lado mulherzinha que não me deixa.
Sou emotiva, sensível, choro à toa, rodo a baiana mas espero o telefone tocar, tenho meus nhem nhem nhens e estou cansada.
Cansada de ser racional.
Cansada de ser "bem resolvida", cansada de tomar a iniciativa, cansada de ser homem em cima do salto.
Por isso, em Nome do meu equilíbrio,
DA falsa modernidade e dessa bagunça que virou um simples abrir-e-fechar de portas, eu me atrevo a dizer: toda mulher tem seu lado mulherzinha.
Rapazes, sejam fortes e persistentes, nós somos complicadas, mas contamos com vocês!"
Nenhum comentário:
Postar um comentário